\tMeu nome é Tiago. Tenho mais ou menos 1,75; sou moreno de olhos verdes, uma combinação que atrai a muita gente, da qual sempre me orgulhei. À época em que essa história começou, eu cultivava uma pequena barba para complementar o visual. Sobre minha vida, era a mais normal e rotineira possível. Hoje, olhando para aquela época (tudo aconteceu há mais ou menos dois anos), vejo como eu desperdiçava meus momentos com coisas que pouco valiam - eu ia de casa ao trabalho, do trabalho para casa - só me distraía às vezes com minha namorada, mas o relacionamento, como tudo na minha vida, tinha caído na rotina.


Em uma visita normal ao médico, ele me recomendou frequentar uma academia. Eu era magro, não chegava a 70 kg, mas o doutor me alertou que os perigos do sedentarismo iam bem além de barriga saliente. Me deixei convencer pelo médico e, no dia seguinte, fui à academia, me matriculei e imediatamente comecei as aulas.


Os primeiros dias foram normais: um pouco de dor, principalmente nas pernas, ao voltar para casa; uma boa dose de suor… mas, principalmente, ganhei uma distração, uma coisa diferente em meio à rotina repetitiva.


Ao fim da primeira semana, já tinha estabelecido meu horário: ia à academia todos os dias às 18h30, logo depois de chegar do trabalho. Na sexta-feira, porém, um incidente aparentemente idiota e ao acaso mudou minha vida para sempre, apesar de, na época, eu nem sonhar com isso.


Bom, o que aconteceu foi o seguinte: desde o início da minha ida à academia, me senti desconfortável e fraco ao ver alguns dos outros frequentadores. Os leitores que já frequentaram um espaço como esse facilmente se identificarão com o sentimento do principiante que chega à academia e, com esforço e bravura, levanta quinze quilos em um equipamento qualquer, para sair, ver um homem com o dobro do seu tamanho usar o equipamento, levantando cem.


Todos os dias, às 18h30, chegava junto comigo um outro homem. Ele era o melhor exemplo desses homens completamente viciados em academia que me davam um gostinho de humilhação. Ele tinha, fácil, 1,90m; devia pesar pelo menos 100 kg, mas tudo em músculos. Ele ia sempre igual à academia: uma camisa regata branca, propositalmente mostrando o peito esculpido; um calção preto; tênis de corrida e óculos escuros.


Naquela sexta-feira em particular, cheguei à academia normalmente e o vi. Algo naquele homem era um pouco estranho. Não era o único forte a frequenta a academia, mas tinha algo diferente nele. Ele era tão másculo que quando eu o via mal me atrevia a dizer que eu era homem. Ele era um homem de verdade. Eu era uma tentativa de um.


Fui à esteira e comecei a corrida; aumentando gradualmente a velocidade e depois alternando minutos de corrida e caminhada, conforme instrução do professor da academia. A área das esteiras ficava no fundo da academia, isolada do resto, mas de onde se podia ver todo o espaço onde outras pessoas faziam suas atividades.


O homem irritantemente másculo veio até a esteira do lado. Não pela primeira nem pela última vez, me assustei com a força do sujeito. Me peguei olhando-o por um segundo. Ele não tinha absolutamente nenhum pelo, nem barba ou cabelo. Era totalmente liso. Mesmo as pernas definidas não tinha pelo… e, ao chegar a esse pensamento, critiquei-me por encarar as pernas de um homem e tentei me concentrar de volta no que tinha a fazer.


Aos poucos, meu olhar se voltava para o homem, que corria olhando para a frente, alheio a meus olhares. Enquanto eu tentava parar de me fixar nele, comecei a me sentir desesperado. O que era aquilo? Aquele homem me causava uma estranha atração, como se tivesse gravidade própria. O mais estranho de tudo era que eu não conseguia identificar o que era: seria medo ou vontade de ser como ele? As duas coisas juntas? Ou eu estava simplesmente impressionado demais?


Passei o resto do dia olhando para ele. Não conseguia evitar. Nos equipamentos, por mais que eu tentasse evitar, meu olhar se dirigia a onde ele estava, o corpo coberto de suor pelo esforço de levantar um peso algumas vezes maior do que o que eu levantava.


Na hora de ir embora, fui à lanchonete do outro lado da rua comprar uma água, como sempre fazia. Quando atravessei de volta à rua e me dirigi a meu carro, vi ele saindo da academia.


Para meu desespero, meu olhar se dirigiu a ele. Para meu desespero maior ainda, o olhar dele se dirigiu ao meu. E, para meu total espanto, ele veio em minha direção.


- Ei cara - pediu ele. - Será que não pode me dar uma carona para casa?


A voz dele era grave, baixa, mas decidida, como se não fosse uma opção minha dizer não. Para minha própria surpresa, me vi concordando.


Será que ele tinha visto os olhares que lhe lancei? Será que tinha ficado com raiva de mim? Os pensamentos fervilhavam em minha mente enquanto eu me xingava em silêncio por ter aceitado dar-lhe a carona. Mas era tarde demais: ele estava dentro do meu carro, desculpando-se por tê-lo molhado com seu suor. Para minha surpresa, ouvi minha voz responder em voz baixa que não tinha problema, que ficasse à vontade. Ele me disse onde morava, eram 10 minutos. De novo amaldiçoando minha sorte, tomei o caminho à casa dele.


Depois de uns cinco minutos de silêncio constrangido, paramos em uma sinaleira, o que ele aparentemente considerou como uma deixa para comentar:


- Percebi que você me olhou bastante hoje.


Tremi. Não sabia o que sentir.


- Percebi também que não foi a primeira vez. Isso já aconteceu durante a semana.


Fiquei em silêncio, suando frio.


- Por que você fez isso?


Seria bobagem negar, dizer que não, que houve mal-entendido. Ele flagrou os olhares. Pensei em negar, até, mas concluí que não seria bom mentir para ele.


- Não sei - admiti, baixinho.


O sinal abriu, ao que dei graças a Deus e acelerei para chegarmos logo à casa do sujeito.


- Eu acho que eu sei - disse ele pausadamente, sem pressa nenhuma de chegar ao ponto. - Você se sentiu atraído por mim. É isso?


Antes que eu pudesse responder, ele complementou:


- Normalmente, mulheres se atraem por mim. Homens, são poucos.


Gelei.


- Não é isso - consegui falar. - Eu não sou… não sou disso… eu, eu tenho namorada.


- Não me importo - respondeu ele, ainda com toda a calma. - Sei reconhecer alguém que precisa de um macho.


Fiquei ofendido, mas, como não consegui articular uma resposta, fiquei em silêncio.


- Eu sou um Homem, com H maiúsculo. Sou o que você precisa. E mais, sou o que você quer. Percebo isso em seu olhar. Pode negar, pode mentir para si mesmo, mas não para mim. Se você me quiser, fale comigo segunda-feira.


Chegamos à casa dele. Ele foi embora sem falar nada. Me deixando dentro do meu carro, com sentimentos confusos, suor pelo corpo, mente embaralhada. E o pior de tudo: com uma ereção..

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