O Acompanhante - Parte XXII


Quando minha mãe terminou sua narrativa, eu já compreendia melhor por que ela sempre foi ausente na minha educação e por que não titubeou em me deixar sozinho quando o atual companheiro pediu que ela fosse morar consigo. Ela não era minha mãe verdadeira e, por conta das suas brigas com meu pai, nunca me amou. Meus avós tinham toda a razão quando afirmaram a meu pai que ela era uma caça-fortuna. Dinheiro era a única coisa que lhe interessava.


Fiz uma análise rápida dos meus sentimentos com relação a ela. Descobri que que ela sempre me foi indiferente. Então, senti-me muito à vontade para negar-lhe ajuda financeira. Ela ainda insistiu, dizendo que estava passando necessidades ao lado do meu padrasto, Porém eu estava inabalável. Aliás, desde que eu descobrira o plano dela para me extorquir dinheiro, junto com o falecido detetive Otávio, que passei a ter-lhe asco. Deixei-a sendo consolada pelo companheiro, paguei a conta do restaurante e fui embora sem olhar para trás. Por mim, eu não a veria nunca mais.


No entanto, eu sentia a necessidade de confirmar aquela história. Por isso, rumei para o prostíbulo onde eu havia ido procurar por Jorge, antes de saber que ele era meu irmão e estava aidético. A cafetina, outra vez, não gostou nada da minha presença. Desta feita, as filhas não estavam presentes. Tinham ido à praia, segundo ela. Achei melhor, pois queria falar-lhe a sós. Contei-lhe a história ouvida da mulher que eu supunha ser minha mãe. Ela chorou, quando relembrou o acidente com a amiga. Mas disse já saber dessa história há tempos. Inclusive, meu próprio pai a havia procurado, antes de falecer. Ofereceu-lhe algum dinheiro, que não foi aceito por ela. A cafetina confessou-se muito magoada por ele nunca a ter contatado antes para oferecer-lhe ajuda. Disse que lembrava ainda quando a clínica foi fechada e a imprensa trouxe o fato à tona. Eu era pequeno, quando isso aconteceu. Não me lembro de nada disso. Finalmente, ela me perguntou o que eu tinha ido fazer ali. Eu estava disposto a compensar o erro do meu pai.


A princípio, ela se negou a ser ajudada por mim. Não queria nem que as filhas soubessem da história que me confirmara. Mas depois, olhando bem em meus olhos, percebeu que eu estava sendo sincero. Quis saber como eu pretendia fazer para ajudá-la. Perguntei se ela jogava “no bicho”. Respondeu que costumava fazer uma fezinha, mas nunca ganhara grandes quantias. Eu não lhe quis adiantar nada, mas pensava em testar a eficácia da agenda com o esquema da máfia do jogo do bicho que Márcia deixara comigo. Prometi voltar dois dias depois. Antes, pedi seu número do telefone celular e ela mo deu sem problemas. Depois me despedi dela e fui embora, deixando-a um tanto cismada comigo.


Passei pelos Correios, abri minha caixa postal e peguei a agenda. Anotei o milhar de quatro dias seguidos e voltei para o meu escritório. Bem na esquina, havia um cambista. Joguei o milhar para a noite. Ele nem teve a curiosidade de perguntar por que eu estava jogando naquela tarde, se eu nunca havia sequer me aproximado da sua banca durante os anos em que mantinha meu escritório ali. Joguei uma pequena quantia, pois nem eu mesmo botava fé no esquema anotado na agenda. Passei o resto da tarde no escritório e não recebi uma ligação sequer. No início da noite, fui para o meu apartamento ansioso para me encontrar com Nuella. No entanto, nenhuma das duas mulheres estavam em minha residência.


Através de um bilhete deixado sobre a mesa da cozinha, fiquei sabendo que a sargento havia passado por lá a minha procura e, não me encontrando, levou-as para o apartamento da médica Helena Mara. A polícia havia descoberto minha participação na fuga da detenta Márcia e estava a minha procura. Eu deveria me esconder em algum lugar enquanto ela ajeitava a situação. Dizia que tentou me ligar, mas o celular tinha dado fora de área. Coisas da operadora, que muitas vezes me deixava sem poder fazer nem receber ligações.


Pelo que entendi, eu não deveria ir também para a residência da médica, onde eu supunha que todas as minhas mulheres estavam. Minha presença lá as tornaria cúmplices, caso a polícia descobrisse meu paradeiro. Pensei um pouco, enquanto arrumava algumas roupas numa bolsa. Iria novamente para um motel qualquer? Olhei meu celular e não havia nenhuma ligação da sargento ou de quem quer que fosse. Lembrei-me, também, que estava sem carro, já que o meu fora usado por Márcia para carbonizar a ladra. Aí, achei num dos bolsos o guardanapo com o número do celular da garçonete anotado. Fiquei na dúvida se ligava para ela ou para Helena Mara. Liguei para a médica, mas o seu telefone estava desligado. Telefonei para a clínica e disseram que ela não havia ido trabalhar naquele dia. O celular de Roxane estava dando desligado ou fora de área. Então, liguei finalmente para a garçonete. Ela atendeu toda feliz.


Meia hora depois eu descia de um táxi na frente do bar. Havia o perigo de ser avistado por algum policial, mas eu contava que jamais esperassem que eu estivesse tão perto deles. A bela e exuberante mulata veio me encontrar na porta. No entanto, disse que eu havia chegado muito cedo. Iria esperar mais de cinco horas para que ela cumprisse seu expediente. Demonstrei não estar preocupado com a demora. Sentei-me a uma das mesas e pedi que trouxesse uma cerveja. Veio geladíssima. Pouco depois, ela sentou-se ao meu lado. Estava curiosa por saber o motivo da minha visita.


Mostrei-lhe a bolsa que carregava. Menti, dizendo que teria de viajar e passaria mais de uma semana fora. Então, resolvera encontrar-me consigo. Desde quando a conhecera - afirmei - havia ficado afim. Ela olhou em meus olhos, depois beijou-me carinhosamente a boca. Falou baixinho ao meu ouvido que também havia gostado de mim. Pediu licença e foi até o balcão, pegando algo que estava guardado numa das gavetas dele. Entregou-me uma chave. Disse-me que era de um quarto que havia nos fundos do bar. Ela o usava para dormir, quando largava muito tarde. Eu deveria esperá-la lá, pois não me queria embriagado em nossa primeira noite juntos. Perguntei se havia alguma banca de bicho por perto. Eu queria saber o resultado da noite. Ela esteve encarando-me como se estivesse desconfiada de mim, depois pegou seu celular e fez uma ligação. Anotou uns números numa cadernetinha de anotações de pedidos. Ao fim da ligação, entregou-me o papel. O milhar que eu jogara encabeçava a lista. Sorri satisfeito. O esquema da agenda realmente funcionava. Ela perguntou e eu disse que fizera uma fezinha à tarde e que fora contemplado. A mulata me abraçou contente e me beijou novamente. Se eu pagasse a sua diária no bar, ela pediria ao dono para largar mais cedo. Topei. O que eu havia ganho na aposta, apesar de ter apostado pouco, dava de sobra para pagar-lhe por um expediente completo de trabalho. Além de que eu tinha ainda alguma grana no bolso, pois contava pagar motel caso minha investida não desse certo com ela.


No quartinho dos fundos do bar tinha um televisor. Fiquei assistindo TV enquanto esperava por ela. Não tinha como tomar banho, então tirei toda a minha roupa e liguei o ventilador. Cobri-me com um lençol leve e entretive-me com a programação. Aí, ela entrou no quarto. Quando se despiu, fiquei impressionado com o tamanho da sua vulva. Suas pernas eram grossas e seus peitos empinados e firmes. Meu pau manifestou-se imediatamente. Ela estava com uma bolsa bem feminina e tirou algo dela. Era uma venda preta. Cobriu-me os olhos com ela. Senti uma algema amarrando meu braço à cama. Outra me prendeu o pulso esquerdo. Senti seus beijos em meu tórax, rosto e púbis. Quando pensei que ia abocanhar meu pênis, seus lábios subiram até minha testa. Lambeu-me a orelha e depois meus lábios, novamente. Aí, suas mãos me tiraram a venda, de repente. Quando minhas vistas se acostumaram com a penumbra, visualizei alguém postado à entrada do quarto. Era uma figura feminina, apesar da estatura arrojada. Reconheci-a como a sargento Alice.


Fim da Vigésima Segunda Partee

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